Letícia Sales. Publicado em 11/08/2026, às 11h37
A inflação oficial do país desacelerou em julho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% no mês, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, a alta havia sido de 0,16%.
Com o resultado, o IPCA acumula avanço de 3,44% em 2026. No período de 12 meses encerrado em julho, a inflação ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.
O índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que tem centro de 3% e limite superior de 4,50%.
Apesar da desaceleração, alguns itens exerceram pressão sobre o orçamento das famílias. O grupo Habitação registrou a maior alta entre os segmentos pesquisados, de 0,99%, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial.
Conta de luz é principal pressão
A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, acelerando em relação à alta de 1,53% registrada no mês anterior. Sozinha, a conta de luz respondeu por 0,13 ponto percentual do IPCA.
O resultado incorporou reajustes nas tarifas de diferentes cidades. Em São Paulo, uma concessionária aplicou aumento de 8,85% a partir de 4 de julho. Em Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, enquanto Curitiba teve aumento de 19,55%.
A conta também continuou influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, enquanto o gás encanado apresentou queda de 0,04%.
Alimentos ajudam a segurar inflação
Na direção oposta, o grupo Alimentação e bebidas registrou queda de 0,67% em julho. Os alimentos consumidos dentro de casa recuaram 1,14%.
Entre os produtos que ficaram mais baratos estão o tomate, com queda de 29,09%, a batata-inglesa (-19,59%), a cenoura (-14,41%) e o café moído (-2,45%).
O tomate foi o item que mais contribuiu para reduzir o índice no mês. Por outro lado, o leite longa vida ficou 2,47% mais caro e as frutas tiveram alta de 1,20%.
Para quem fez as refeições fora de casa, o movimento foi diferente. A alimentação fora do domicílio aumentou 0,55% em julho, ante alta de 0,15% em junho. Os lanches subiram 0,76%, enquanto as refeições ficaram 0,42% mais caras.
Veja a variação dos grupos
- Alimentação e bebidas: -0,67%
- Habitação: 0,99%
- Artigos de residência: 0,07%
- Vestuário: -0,66%
- Transportes: 0,05%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
- Despesas pessoais: 0,22%
- Educação: -0,03%
- Comunicação: 0,04%
Passagens aéreas sobem e combustíveis recuam
O grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas foram o principal destaque de alta, com avanço de 11,67%.
A pressão foi parcialmente compensada pela redução nos preços dos combustíveis. O etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o diesel teve queda de 1,22% e o gás veicular diminuiu 0,08%.
Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco apresentou a maior alta em julho, de 0,32%, influenciada principalmente pelas passagens aéreas e pela energia elétrica. Belém registrou a maior queda, de 0,45%, com influência da redução dos preços da gasolina e do açaí.
Saúde também registra alta
O grupo Saúde e cuidados pessoais avançou 0,40%. Os produtos de higiene pessoal tiveram alta de 0,64%, com destaque para os perfumes, que ficaram 1,04% mais caros.
Os planos de saúde subiram 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Inflação ainda exige cautela do Banco Central
Mesmo dentro do intervalo de tolerância da meta, o IPCA acumulado em 12 meses permanece acima do centro de 3%. O resultado continua sendo acompanhado pelo Banco Central na definição da política de juros.
Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o resultado de julho veio “levemente acima do esperado”. O mercado projetava uma alta de 0,03%, enquanto o índice efetivamente registrado foi de 0,07%.
Na avaliação do especialista, a diferença não deve alterar significativamente a estratégia do Comitê de Política Monetária (Copom).
O cenário climático também permanece no radar. O fenômeno El Niño pode afetar a produção agrícola ao alterar os regimes de chuva e temperatura, com possíveis impactos sobre colheitas e oferta de alimentos.
Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária.
Na semana passada, o Banco Central reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o comitê não sinalizou se haverá uma nova redução.
Segundo a ata, a velocidade do processo dependerá da evolução dos indicadores econômicos. Entre os fatores monitorados estão os gastos públicos, o comportamento da dívida, os preços internacionais do petróleo, as condições climáticas e as expectativas de inflação.

